Escrevo de cara inchada, depois de há dois dias ter arrancado o enorme dente do sizo que já andava a atazanar a minha paz de espírito. Não sei o que é mais terrível, se aquela hora de violência na cadeira do dentista, se o chamado pós-operatório. Enquanto lá estive as minhas pernas não pararam de tremer pelo medo à broca, à exclamação insensível do médico: "é claro que te vou cortar o osso, como querias que te tirasse o dente?" e, à dolorosa força no esforço que punha em levantar o dente, que tão bem ali se tinha deitado. Mais de quarenta e oito horas depois, as coisas ainda não melhoraram muito: não consigo abrir a boca mais de 5cm o que condiciona o comer e o falar. O único lado positivo que até agora senti foi mesmo o adiar a minha viagem até à ilha.
5.1.09
1.9.08
Mais um passo
Depois de quase dois meses de férias tenho que voltar. Volto a deixar a minha família e este tempo tão luminoso para trás. Volto sem vontade, sentindo que tenho que continuar a desbravar o caminho para um dia encontrar "o ouro". Não vivo cada dia como se fosse o último. Acredito que poucos se poderão dar ao luxo de o fazer. Se assim fosse não se fariam estes investimentos no futuro.
13.4.08
Patriotismo no seu melhor
Sinto um certo orgulho, depois de ainda me perguntarem de onde sou, que a reacção seja um "wow", ou quando nas aulas os professores referem uma conferência que tiveram em Portugal (ainda que tenha sido só por duas vezes).
12.4.08
Housemates IV

A mais inteligente, simples, bonita, tolerante, simpática, a melhor ouvinte da casa De tão calada que é, por vezes há que adivinhar aquilo que pensa. Alemã, da baviera, como faz questão de fazer notar. A melhor amiga que por cá arranjei. Tem quatro meses agendados de viagem pela Ásia, sozinha e um irmão gémeo lindo de morrer.
10.4.08
Housemates III
Pretinha. Bonita. Inglesa, mas de origem nigeriana, acho. 20 anos cheios. De um riso contagiante, fala dos vicios das revistas cor-de-rosa, das unhas enormes posticas, das malas, da roupa interior, dos dvds... O unico medo e acabar sem alguem. Sofre pelo Jonathan, o ex que namorava com outra ao que parece, mas vai trocando mensagens com um outro frances. Vai correr a maratona de Londres no proximo domingo e nos vamos apoia-la do sofa, pela tv. E a alegria e tem o coracao mais puro da casa.
Sei que nao vou por ali
Segundo o que escrevem no hi5 metade dos meus ex-colegas de curso sao agora agentes de viagens. Admiro-lhes a paciencia. Tres meses de estagio numa delas foram o suficiente para aprender que ali nao se vive, sobrevive-se.
6.4.08
É Abril e está a nevar
29.3.08
O amor é uma companhia
"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."
Alberto Caeiro
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."
Alberto Caeiro
27.3.08
I can't sleep
Irrita-me isto de viver rodeada de meninas ricas cuja vida não é mais do que o esbanjar dos números gigantescos que os seus papás depositam na sua conta. Só de futilidades sobrevivem e com o seu super ego tentam sempre calcar quem se interessa para lá do que aquilo que se possa adquirir com libras. Em cada assunto a vontade de mostrar o seu poder de compra extravasa-lhes da boca para fora. Fá-las sentir superiores se referirem o de quão alto nível são os hotéis quando dormem em Londres ou o quanto custa andar de táxi. Irrita-me ainda mais quando da sua altivez tentam disfarçar a ignorância óbvia, cheias de palavras vazias de sentido.
19.3.08
Um pesadelo
Hoje sonhei que o mundo ia acabar. Em 16 dias, segundo o Público on-line. Ninguém sabia como, mas era certo que seria por uma desastre natural. Poucos pensavam em armazenar comida para o caso de se safarem e, no meio da confusão, muitos continuavam a trabalhar como se nada fosse, como os jornalistas. Seria qualquer coisa de tão enorme como o que levou à extinção dos dinossauros. Terrivelmente nítido e real. O mais curioso de tudo foi, no meio de tamanho pânico, tudo o que me interessava era estar junto dos meus. A ansiedade de ter ali toda a minha familia era enorme. Só por eles sofri. Estranho.
17.3.08
Housemates II
Só cá mora há 1 semana, mas o aspirador, com ela, já trabalhou mais nestes oito dias do que nos meses todos anteriores. É incansável, ao contrário da sirene constante daquele aparelho, que nos faz reunir toda a paciência interior para não lhe berrar que a casa está mais que limpa. É chinesa. Mais uma. Três empregos que a fazem trabalhar dias a fio, sem descanso. Mais o trabalho da casa, que tomou por opção. A sirene parou. Vou estudar!
16.3.08
Sono, muito sono...

...só de olhar para eles. Se há pessoas que nasceram para estudar, eu não sou uma delas. Se aqui estou e se aqui vim parar foi graças à taxa de desemprego e falta de oportunidades em que Portugal vive. Quando estudo é com esforço, muito. Não, não sou dotada de um alto QI, pela certa. Nunca nos meus planos esteve viver em Inglaterra ou vir para aqui estudar. Tudo não passava em querer acabar a licenciatura e arranjar um emprego. Que ingénua, tal como agora - ainda ter a esperança de, assim que terminar o mestrado, encontrar um emprego que me realize... até voltar a sentir na pele a mesma frustração de alguns anos atrás.
13.3.08
Housemates I
Que não sabe o que fazer, se casa com ele ou não. Que é um nice guy, que lhe pode bater à vontade que ele não retribui. Lhe pode berrar e fazê-lo sangrar que ela, por certo, está fora de qualquer tipo de risco. Que lá na China é assim que se vê se um rapaz é de confiança. Que o ama, isso é certo but... não é rico, não tem um negócio próprio. É preguiçoso e não estuda (curiosa observação vinda de quem paga para ter os seus essays escritos). Um futuro com ele será hard, sem a possibilidade de comprar toda a roupa dos altos designers a que se habituou a comprar. Com ele os filhos serão lindos e não precisariam de operação mas nunca teriam tudo o que quisessem. Que não, que tem de casar com um rich guy, mesmo que feio, conclui.
22.1.08
Out of energy
Há amizades que nos cansam. Vêm, despejam todo o podre que têm preso lá dentro, sugam a nossa energia e paciência e, mais levezinhos e aliviados lá se vão para voltar a encher o seu saco, agora vazio. O ciclo repete-se e, já sem surpresas, a porta abre-se, ela entra, despeja e sai. Constantemente. O ar do meu quarto está agora pesado, contaminado. Como se diz a alguém, com uma clara depressão, que não há aqui mais espaço para os seus problemas?
20.1.08
19.1.08
Alice no País das Maravilhas
Porque eu também faço parte da geração saudosista dos desenhos animados.
16.1.08
Torre de Babel
Nesta casa fala-se o inglês, mas também é possível ouvir o chinês, o alemão e o português quando não entre nós. Podiamo-nos não nos entender, mas entendemos e incrivelmente bem. Ao acaso ou por pura sorte o destino foi incrivelmente simpático connosco. Na mesma casa, sem se conhecerem de antemão é possivel juntar quatro pessoas, de três diferentes raças (as culturas são diferentes, ou não?) tornando-se amigas.
Sonhos de garfo e faca na mão
Não que me lembre sempre dos sonhos, mas ultimamente até tenho sonhado bastante e acordado ainda a pensar no que andou pelo meu inconsciente momentos atrás. A comida pré-cozinhada pronta a ir ao micro-ondas anda-me a dar voltas ao estômago. Oh Deus, as saudades que eu tenho de umas belas batatas fritas, ovo estrelado e de um bom bife a acompanhar. Até o meu inconsciente já o reclama e teima em mo recordar através do sono. Só mais semana e meia de clausura e desforro-me, então.
14.1.08
Clausura
Do portátil saem músicas da Mafalda Veiga e João Pedro Pais. Não é provavelmente a melhor escolha para o momento mas é o que apetece ouvir. Olho desesperada para o número das palavras que já escrevi e conto as que me faltam, cerca de 1500. O corpo já se ressente pelas horas que já me sentei nesta cadeira em frente ao monitor. A vontade de estar aqui agora é nula.
12.1.08
O que eu mais gosto em ti é da tua transparência. Tens daqueles olhos azuis que dão vontade de mergulhar neles. Não és um jogador. És alguém que também precisa que gostem dele. Quando gostas, gostas muito. Eu também. E de ti. Caímos numa apertada armadilha e não sei se ainda não saimos dela porque até nos sabe bem ali estar, se só não saimos porque ainda não conseguimos. É tão bom gostar de ti.
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